Do Extremo Sul da Bahia para o Mundo: a história e o sabor da Cachaça Matriarca

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26 de março de 2026
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Produzida artesanalmente na Fazenda Cio da Terra, entre Caravelas e Medeiros Neto, a marca acumula premiações internacionais e chegou a Teixeira de Freitas com endereço certo no Mercado Municipal.

Por Sammy Chagas| 

Há cachaças que se bebem. Há outras que se contam. A Matriarca pertence às duas categorias — e o Extremo Sul da Bahia tem muito a se orgulhar disso.

Produzida artesanalmente há mais de três décadas na Fazenda Cio da Terra, localizada entre os municípios baianos de Caravelas, Lajedão e Medeiros Neto, bem próxima à divisa do nordeste mineiro  , a Cachaça Matriarca nasceu de uma decisão improvável: um fazendeiro que resolveu fazer da cana-de-açúcar algo além de lavoura.

A história da Matriarca se confunde com o empreendedorismo do seu criador, Adalberto Alves Pinto. Filho caçula de uma família de oito irmãos, Beto Pinto, como é conhecido, cresceu escutando as lições da mãe Aracy, exímia fazendeira, que praticamente sozinha criou e educou todos os filhos, como uma verdadeira matriarca. O nome da cachaça é uma homenagem direta a ela.

O que começou despretensiosamente com uma moenda movida à tração animal se transformou em um dos alambiques mais dinâmicos do sul da Bahia. [Mapa da Cachaça](https://mapadacachaca.com.br/artigos/matriarca-estabelecendo-um-legado-para-a-cachaca-baiana/) Três décadas depois, a marca exporta para o mundo, coleciona medalhas de ouro em concursos internacionais e figura entre as cachaças mais respeitadas do país.

Uma tanoaria própria e um pioneirismo sem precedente

O que diferencia a Matriarca de boa parte dos produtores nacionais vai além do cuidado com a cana. Na busca incessante pelo sabor perfeito, a Matriarca fabrica artesanalmente as dornas e os barris usados na produção na própria propriedade, o que permite aperfeiçoar cada detalhe e inovar, sendo pioneira no uso da jaqueira.

A jaqueira — árvore de origem asiática, difundida por todo o Brasil — era vista como sombra de quintal até a Matriarca enxergar nela um potencial inédito para a cachaceria. A Matriarca Jaqueira foi lançada no início dos anos 2000, sendo a primeira cachaça armazenada em jaqueira do mercado — do mundo —, um movimento que inspirou outros produtores a explorarem novas possibilidades com a madeira.

Esqueça os tradicionais barris de carvalho. Na busca por novos sabores e aromas, a Cachaça Matriarca mergulhou nos biomas do Brasil. Além da jaqueira, espécie exótica originária da Ásia, a Matriarca trabalha com barris de jequitibá-rosa, bálsamo  e amburana, entre outras madeiras nativas. Toda madeira utilizada para o envelhecimento das cachaças foi plantada na própria propriedade, com preocupação direta com a sustentabilidade.

 Premiações internacionais: a Bahia no pódio mundial

O reconhecimento veio rápido e de longe. A cachaça Matriarca foi premiada com medalha de ouro no Ranking da Cúpula da Cachaça, do jornal Estado de São Paulo; com medalha de ouro e prata no Spirits Selection by Concours Mondial de Bruxelas, na Bélgica; e com duplo ouro e prata no concurso de San Francisco, na Califórnia, Estados Unidos.

Em 2018, a Matriarca foi a única cachaça da Bahia premiada entre as 50 melhores do Brasil no Ranking da Cúpula da Cachaça.  No ano seguinte, cruzou o Atlântico e o Pacífico: em 2019, a Matriarca chegou aos EUA para concorrer na San Francisco World Competition, uma das mais renomadas premiações de destilados do planeta. Lá, a Jaqueira conquistou a medalha de ouro.

A Matriarca 4 Madeiras também acumula distinções: levou medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas em 2022 e figurou entre as Top 50 do V Ranking da Cúpula da Cachaça no mesmo ano.

A linha completa: um destilado para cada paladar

A Fazenda Cio da Terra hoje oferece uma linha diversificada, com cada rótulo carregando uma personalidade distinta:

A Matriarca Prata (ou Cristal) é a expressão mais pura da cana: a única cachaça da linha que não sofre nenhum tipo de maturação em barril. Sua destilação é feita em alambique de cobre e serve de base para toda a produção.

A Matriarca Ouro Jaqueira é a joia da marca. De cor amarelo ouro brilhante, seu aroma traz notas de frutas amarelas maduras e toque floral com leve nuance adocicada. No paladar, o início apresenta aquecimento alcoólico marcado, seguido de sutil picância. O final é uma verdadeira assinatura, com adstringência pronunciada e retrogosto frutado persistente. [

A Matriarca 4 Madeiras é o blend mais complexo da casa: armazenada por dois anos em barris de jaqueira, louro-canela, amburana e bálsamo, robusta, com graduação alcoólica de 42%. [Bendita Dose]. Sua cor é amarelo ouro intenso, e o aroma reúne notas de louro, canela, cravo e erva-doce, com fundo frutado e vegetal.

Há ainda as versões em bálsamo, amburana e jequitibá-rosa, cada uma explorando as propriedades sensoriais de madeiras distintas dos biomas brasileiros.

Um negócio de família, com raízes fincadas na terra

Premiada nos mais reconhecidos concursos do ramo, a Matriarca atualmente conta para a sua produção e distribuição com a ajuda das filhas do proprietário e dos seus genros. O caráter familiar permanece intacto, e é justamente isso que os apreciadores mais exaltam: a autenticidade de um produto feito por quem tem a fazenda no sangue.

O rótulo da Matriarca foi inspirado na região onde o Brasil nasceu, a Costa do Descobrimento, e possui as curvas do Monte Pascoal. Além disso, traz a foto da mãe de Adalberto, matriarca da família, que inspirou o nome da cachaça

Teixeira de Freitas tem o seu ponto

Para quem mora no Extremo Sul da Bahia e quer provar essa história em forma de destilado, o caminho é curto. A Cachaça Matriarca está disponível no box da marca dentro do Mercado Municipal de Teixeira de Freitas, um dos espaços mais tradicionais e movimentados da cidade — levando para o coração do comércio local uma das produções mais premiadas da região.

A pergunta que fica: você já provou uma cachaça que ganhou medalha de ouro em Bruxelas e em San Francisco e foi feita a menos de cem quilômetros daqui?

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