ACM Neto admite erro, transfere responsabilidade pela derrota de 2022 à escolha da vice e mantém Marcelo Nilo fora da chapa

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26 de março de 2026
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O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, iniciou a montagem de sua chapa para as eleições de 2026 adotando um discurso que já provoca reação nos bastidores políticos: ao reconhecer falhas na campanha de 2022, o pré-candidato acabou concentrando a responsabilidade da derrota na escolha da vice.

Durante agenda em Jequié, nesta quinta-feira (26), Neto afirmou que “cometeu erros” ao definir como companheira de chapa a empresária Ana Coelho, um nome sem trajetória política. A declaração, embora apresentada como autocrítica, foi interpretada por aliados e observadores como uma tentativa de atribuir à decisão — e, consequentemente, à ex-vice — o peso do resultado eleitoral.

Na prática, o movimento coloca a antiga escolha no centro da derrota, ao mesmo tempo em que preserva o núcleo estratégico da campanha. A leitura política é direta: ao reconhecer o erro, Neto reposiciona sua narrativa, mas também delimita responsabilidades.

Para 2026, a estratégia muda. O escolhido para vice é o prefeito de Jequié, Zé Cocá, nome com experiência administrativa e forte base no interior, região decisiva na eleição passada.

A chapa ainda deve contar com o senador Angelo Coronel e o ex-ministro João Roma como pré-candidatos ao Senado, reforçando o peso político do grupo.

Nos bastidores, outro ponto chama atenção e se repete: o ex-deputado federal Marcelo Nilo novamente ficou fora da composição majoritária. Mesmo com longa trajetória política e experiência no cenário estadual, Nilo segue sem espaço no projeto liderado por ACM Neto, evidenciando que o redesenho da chapa também passa por escolhas excludentes.

O anúncio oficial da chapa está previsto para a próxima segunda-feira (30), em evento no interior do estado, possivelmente em Feira de Santana, com articulação do prefeito Zé Ronaldo.

Além da composição estadual, ACM Neto ainda evita cravar apoio a um nome na disputa presidencial, adotando cautela diante do cenário nacional e dos possíveis impactos eleitorais na Bahia.

Ao assumir o erro, mas direcionar o foco da crítica para a escolha da vice, ACM Neto tenta reescrever sua trajetória recente. Resta saber se o eleitorado vai enxergar o gesto como autocrítica legítima ou como uma tentativa de transferir responsabilidades.

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