Presas por ataque golpista reclamam de banho gelado e comida

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28 de fevereiro de 2023
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Mulheres que ficaram detidas no sistema penitenciário do Distrito Federal por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro reclamam principalmente da qualidade da comida e de banho gelado quando relembram do período no presídio da Colmeia.

O  jornal Folha de S.Paulo conversou com duas mulheres, de 49 e 58 anos, que estavam presas e foram soltas mediante monitoramento com tornozeleira eletrônica. Elas falam em arrependimento de estar em Brasília em 8 de janeiro; mas dizem que não participaram das depredações às sedes dos três Poderes.

“Ali [prisão] é como se você estivesse morta, não sabe de nada que acontece lá fora, a família não consegue fazer contato”, disse uma das mulheres.

Ela foi levada para a Colmeia dias depois das depredações. Ficou presa por cerca de dez dias, período que relembra chorando. Para ficar na cela, ganhou um kit de roupa branca contendo bermuda, camiseta, calcinha, escova de dente e um colchão.

Foi nesse colchão que passou a maioria do tempo, sentada e dividindo cela com mais 12 pessoas de diversos cantos do país. Elas compartilhavam uma pia e um vaso sanitário.

“Tinha uma menina menstruada dentro da cela e não tinha troca de roupa; tem gente que dormiu com roupa molhada por não ter onde secar. Eu fiquei os primeiros cinco dias sem trocar de roupa até minha família comprar novos kits”, afirmou.

Ela conta ainda que o mais problemático na prisão era a comida. Segundo ela, as presas eram servidas duas vezes ao dia. No almoço recebiam uma marmita e um suco. Nos primeiros dias não havia talheres e tinham que comer com a tampa do recipiente.

Ao anoitecer, recebiam outra marmita com mais dois pães, uma fruta e uma caixinha de achocolatado -esses últimos itens eram para o café da manhã. “Diversas vezes a comida inteira foi descartada no lixo, parecia uma lavagem”, contou.

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