Na Cara

ITAMARAJU PODERÁ RECEBER O SELO DE “CIDADE NÃO SOLIDÁRIA”

By 10 de abril de 2020 Nenhum Comentário

Nessa passada quinta-feira (9 de abril), o governador do Estado, Rui Costa, anunciou a proposta de montar em Itamaraju uma unidade de referência para o combate ao coronavírus, com 130 leitos, dos quais 20 de UTI, e equipada com os mais modernos aparelhos, como respiradores, monitores cardíacos, raio-x, tomógrafos, macas, etc. Para tanto, seria utilizado o hospital municipal, que possui uma estrutura física das maiores do Extremo Sul, parte da qual, inclusive, ociosa. Para evitar o contato com os eventuais pacientes com a COVID-19, indicou o governador que os pacientes internados com outras doenças poderiam ser realocados para o antigo hospital regional, onde hoje funciona a policlínica municipal. Essa foi a ideia provisória, para iniciar a conversa com a gestão municipal, esperando uma contraproposta.

Após diálogo com o prefeito local, Marcelo Angênica, que é médico, o governador enviou uma equipe técnica para vistoriar a unidade de saúde já nesta sexta-feira.
Entretanto, uma intensa mobilização contra a iniciativa foi iniciada nas redes sociais, ao argumento de que a cidade irá ser infestada pelo novo coronavírus, colocando em risco a vida da população, uma vez que os infectados levados para lá seriam, supostamente, foco incontrolável de disseminação da covid-19. Expressões como “presente de grego”, “cavalo de tróia”, além de memes depreciativos e ataques direto ao governador, tomaram conta das redes.

O ponto mais dramático dessa reação se deu na chegada dos técnicos da secretaria estadual de saúde ao hospital, os quais foram duramente hostilizados por um “grupo” de populares, liderado por um ex-candidato a vereador e empresário ligado ao prefeito. Ao longo do dia, seguiram-se as manifestações de repúdio e descontentamento, desde pessoas singulares (médicos, diretores da OAB, professores, enfermeiros, etc) até entidades como a CDL e o Sindcomércio.

Lamentavelmente, o que era apenas uma proposta do governador, a qual poderia ser perfeitamente ajustada, melhorada e adequada à realidade de Itamaraju, transformou-se num embate marcado pela ignorância, politicagem e total desprezo à solidariedade, que é tão necessária nesse momento de guerra à pandemia.
As cidades do Extremo Sul olham atentas e apreensivas para o desfecho dessa história, especialmente Teixeira de Freitas. O que se comenta nos círculos políticos daqui se resume na frase “a ingratidão é pior que o fio de uma navalha”.
Afinal, como explicar e aceitar tal postura, se todos os pacientes da alta complexidade oriundos de Itamaraju são atendidos em Teixeira de Freitas? Por que, agora, Itamaraju não pode aceitar pacientes de Teixeira de Freitas? E se a população teixeirense tomar a mesma atitude, de não querer receber ninguém do município vizinho, como ficará? E se todas as cidades agirem assim? Onde serão tratados os infectados com a covid-19, inclusive os itamarajuenses? Qual a UTI que os acolherá?
O hospital de Teixeira de Freitas não possui a menor capacidade para atender a toda a região, que tem mais de 400 mil pessoas, nos seus 13 municípios. Primeiro, porque só possui 12 leitos públicos de UTI. Segundo, porque atende e trata pessoas com câncer, cardiopatas, diabéticas, que integram grupo de risco. E esses pacientes não podem ser remanejados pra outra unidade de saúde, porque não há outro hospital público com a mesma estrutura.
Já no que se refere ao risco de disseminação do vírus, é importante se ter em mente que, sendo uma estrutura de referência especializada, claro que protocolos médico-sanitários seriam implementados, para se evitar a propagação do vírus, como ocorre nos outros hospitais da Bahia e do Brasil. Não existe qualquer dado, absolutamente nenhum, que comprove a disseminação do vírus, por contágio comunitário, através de unidades de saúde referências na COVID-19.
Por fim, é incompreensível que Itamaraju rejeite a chance, talvez única, de ter uma estrutura de saúde igual ou melhor que Teixeira de Freitas, quando a pandemia passar. Esse legado seria um divisor de águas para a cidade.
É preciso, portanto, um mínimo de sensatez e compreensão da população de Itamaraju. Do gestor da cidade, que é médico, exige-se responsabilidade pública, mais do que visão política do problema. É hora de salvar vidas, de Itamaraju e da região.
A estrutura proposta pelo governador visa justamente preservar vidas humanas. Os pacientes seriam pessoas de carne e osso, com famílias, com filhos, com pais e mães, iguais aos itamarajuenses.
No momento em que o mundo todo se solidariza, soma esforços, luta para vencer o vírus e a morte que ele traz, um grupo de opositoresne oportunistas politicos querem fazer Itamaraju se afastar e se fecha num egoísmo social inexplicável e inaceitável. A história julgará a cidade, e cobrará o seu preço.

Enquanto Itamaraju rejeita, já tem prefeito de olho nas UTI’S e na estrutura do Governo.