Encontros secretos, R$ 1,5 milhão e votos comprados: Uldurico Jr. entra na mira

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08 de julho de 2025
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Escândalo abala imagem de Uldurico Jr.: ex-deputado é citado em esquema de compra de votos ligado a facção

Teixeira de Freitas — 08 de julho de 2025 — A trajetória política do ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB) volta a ser alvo de questionamentos após revelações feitas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e veiculadas com exclusividade pela TV Bahia e pelo portal G1. O nome do ex-parlamentar, que também foi candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, aparece citado em um escândalo que envolve compra de votos, favores políticos e relações perigosas com uma organização criminosa atuante no estado.

De acordo com as investigações, Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, e Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, negociavam votos por R$ 100 para beneficiar determinados políticos. A apuração aponta que Joneuma, amante de Dadá, passou a atuar politicamente em nome da facção e intermediava encontros dentro do presídio entre o então candidato Uldurico Júnior, o próprio Dadá e membros do grupo criminoso.

Os encontros, segundo o processo, eram cuidadosamente articulados por Joneuma para evitar qualquer registro por câmeras ou arquivos da unidade prisional. A mulher, que hoje responde judicialmente, teria lucrado até R$ 1,5 milhão em valores intermediados por essa atuação política — informação negada por sua defesa.

Além de Uldurico, também teria participado desses encontros o então candidato a vereador de Eunápolis, Alberto Cley Santos Lima, conhecido como “Cley da Autoescola” (PSD), apontado como aliado político do ex-deputado.

As denúncias lançam dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral na região e colocam em xeque a postura ética de Uldurico Júnior, que até o momento não se pronunciou publicamente sobre o conteúdo do processo ou as acusações que recaem sobre seu nome.

O esquema descrito pela promotoria envolvia não apenas votos de familiares e aliados, mas também presos provisórios faccionados que mantinham seus direitos políticos ativos e participavam diretamente do esquema. Um dos internos da unidade revelou que os votos eram “compromissados” e cada eleitor aliciado recebia dinheiro pelo apoio.

O caso gera forte repercussão política no Extremo Sul da Bahia, especialmente em Teixeira de Freitas, onde Uldurico ainda tenta manter viva sua influência política. Com as novas revelações, cresce a pressão por um posicionamento claro do ex-deputado e por apurações mais aprofundadas sobre sua real participação nos fatos.

📎 https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2025/07/07/o-que-se-sabe-sobre-ex-diretora-suspeita-de-facilitar-fuga-de-16-presos-na-bahia.ghtml

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