Emaranhado de fios expõe risco em Teixeira de Freitas e reacende debate sobre fiscalização rigorosa

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21 de novembro de 2025
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Fios que pegaram fogo e foram retirados dos postes da av ACM.

O cenário dos postes de Teixeira de Freitas voltou a gerar preocupação. A quantidade excessiva de cabos de fibra óptica, telefônicos e outros fios instalados por empresas de internet e comunicação transformou a paisagem urbana em um verdadeiro emaranhado desordenado. O problema, além de estético, se tornou uma ameaça real à segurança pública.

Na última semana, dois postes no Centro sofreram um princípio de incêndio, deixando parte da região do Mercadão sem energia por algumas horas. O episódio também colocou em risco pedestres, comerciantes e motoristas que transitavam pelo local. O foco das chamas foi rapidamente controlado, mas expôs a gravidade da situação: há anos, empresas que não pertencem ao setor de energia utilizam a rede de postes sem organização, sem gerenciamento adequado e, principalmente, sem responsabilidade técnica compatível com o risco que apresentam.

A legislação nacional exige, por meio da Resolução Normativa nº 797/2017 da ANEEL e das normas da ABNT NBR 15214 e 5410, que todo compartilhamento de postes sigam padrões de segurança, distanciamento e fixação dos cabos. Entretanto, a prática comum em muitos municípios — e presente em Teixeira de Freitas — mostra o oposto: fios pendurados, cabos abandonados e instalações improvisadas que acumulam sujeira, pesam a estrutura e aumentam o risco de curto-circuito, incêndios e acidentes.

Cidades brasileiras já iniciaram a “limpa” nos postes

Em várias regiões do país, prefeituras e concessionárias de energia adotaram operações permanentes de limpeza e padronização dos cabos:

  • São Paulo (capital): A Prefeitura, em parceria com a Enel, removeu mais de 50 toneladas de cabos irregulares apenas em 2024. A iniciativa prevê multa e notificação imediata para empresas que deixam fios soltos ou abandonados.
  • Curitiba (PR): O programa “Cidades Inteligentes” inclui reorganização dos postes, retirada de cabos mortos e fiscalização digitalizada para controle das operadoras.
  • Salvador (BA): A Neoenergia Coelba intensificou ações de remoção de fios clandestinos e exige identificação individualizada dos cabos, coibindo o uso irregular dos postes.
  • Florianópolis (SC): A prefeitura mantém cronograma de limpeza por bairros e já retirou cabos suficientes para encher dezenas de caminhões.
  • Belo Horizonte (MG): Adotou regras mais rígidas para compartilhamento e incluiu penalidades severas a empresas que descumprem o padrão técnico.

Essas cidades mostram que o problema tem solução — mas ela exige ação conjunta: prefeitura, concessionária de energia e fiscalização técnica contínua.

Teixeira de Freitas precisa seguir o mesmo caminho

O episódio dos postes incendiados é um alerta. Enquanto empresas continuam instalando cabos sem qualquer padronização, a cidade acumula risco de choques elétricos, quedas de estruturas, interrupções frequentes de energia e novos incêndios. Não é um problema estético: é uma questão de segurança pública e responsabilidade civil.

É urgente que Teixeira de Freitas adote uma política rígida de fiscalização, com:

  • Inventário dos cabos instalados, identificando os fios “mortos” e clandestinos;
  • Notificação e multa às empresas irregulares;
  • Padronização obrigatória de fiação, conforme normas nacionais;
  • Limpeza periódica, em parceria com a concessionária de energia;
  • Responsabilização por danos, inclusive quando a desorganização resultar em interrupção do serviço ou risco à população.

Do jeito que está, cada poste se torna uma bomba-relógio silenciosa. O incêndio recente não foi um acidente isolado, mas consequência direta da falta de ordem nesse território compartilhado.

Teixeira de Freitas merece um padrão urbano seguro, moderno e organizado — e isso começa, literalmente, de cima para baixo.

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