Economia solidária transforma vidas no Sul e Extremo Sul da Bahia”, afirma Wenceslau Júnior

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25 de março de 2026
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Foto Eduardo Mafra

ENTREVISTA | ECONOMIA E INCLUSÃO PRODUTIVA

Superintendente da Setre detalha avanços da política pública, impacto social e expansão dos Cesol na Bahia

TEIXEIRA DE FREITAS (BA) — Ao completar três anos do governo de Jerônimo Rodrigues, a política de economia solidária na Bahia apresenta avanços expressivos. Em entrevista, o superintendente de Economia Solidária da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Wenceslau Júnior, detalha os resultados, os investimentos e o impacto direto na vida de milhares de baianos.


Jornalista: Após três anos de governo, quais são os principais avanços da economia solidária na Bahia?

Wenceslau Júnior: Tivemos um crescimento significativo. Quando assumimos, em janeiro de 2023, havia 14 Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol). Hoje, já são 23 unidades, alcançando 24 dos 27 territórios de identidade da Bahia. Isso permitiu atender mais de 2.400 empreendimentos solidários, impactando diretamente cerca de 30 mil pessoas. São trabalhadores organizados em cooperativas, associações e grupos informais que encontraram na economia solidária uma alternativa real de renda, dignidade e autonomia.


Jornalista: Qual é o papel dessa política nas regiões Sul e Extremo Sul da Bahia?

Wenceslau Júnior: Nessas regiões, a economia solidária tem um papel ainda mais estratégico. Estamos falando de territórios com forte presença de agricultura familiar, pesca artesanal, reciclagem e produção de alimentos. A atuação do Estado tem sido fundamental para estruturar essas cadeias produtivas e ampliar oportunidades, fortalecendo quem mais precisa.


Jornalista: Como funciona o apoio oferecido aos empreendimentos?

Wenceslau Júnior: Trabalhamos com uma atuação integrada. Oferecemos assistência técnica qualificada, que vai desde a melhoria da produção até aspectos como embalagem, rotulagem, tabela nutricional e precificação. Também investimos na qualificação profissional e, principalmente, no acesso à comercialização, que é um dos maiores desafios desses grupos.


Jornalista: E como está o acesso ao mercado para esses produtores?

Wenceslau Júnior: Avançamos bastante. Hoje, já são 27 pontos de comercialização em funcionamento, entre lojas, quiosques e espaços em parceria com o poder público e a iniciativa privada. No sul da Bahia, temos exemplos importantes como a loja na Praça Camacan, em Itabuna, o quiosque no Shopping Jequitibá e novos espaços em Ilhéus, que ampliam a visibilidade e o escoamento da produção local.


Jornalista: Há exemplos concretos de sucesso dentro da economia solidária?

Wenceslau Júnior: Sim, vários. Um dos mais emblemáticos é a Chocosol, em Ilhéus, que é a primeira fábrica de chocolate do Brasil estruturada dentro da economia solidária. Ela fortalece a cadeia do cacau e melhora a renda dos pequenos agricultores. Outro exemplo é a Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Itabuna, que reúne mais de 60 associados e garante uma renda média mensal em torno de R$ 2 mil, além de contribuir com a sustentabilidade ambiental.


Jornalista: E no Extremo Sul, quais são os avanços recentes?

Wenceslau Júnior: A implantação do novo Cesol em Teixeira de Freitas é um marco importante. Essa descentralização é essencial por conta das grandes distâncias do território. A meta inicial é atender 100 empreendimentos, com possibilidade de chegar a 192, fortalecendo principalmente grupos produtivos formados por mulheres.


Jornalista: A participação feminina é significativa nesse modelo?

Wenceslau Júnior: Sem dúvida. Cerca de 70% do público atendido pela economia solidária é composto por mulheres, muitas delas chefes de família, moradoras da periferia e da zona rural, além de mulheres negras e indígenas. Por isso, essa política também dialoga com pautas fundamentais, como o enfrentamento à violência de gênero e ao racismo estrutural.


Jornalista: Quais são os próximos passos da política de economia solidária na Bahia?

Wenceslau Júnior: Vamos continuar ampliando essa atuação, fortalecendo os empreendimentos e consolidando, nos territórios do sul, extremo sul e baixo sul da Bahia, um modelo de desenvolvimento baseado na cooperação, na inclusão produtiva e no respeito à diversidade.

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