CHAPA TARCÍSIO E ACM NETO? BASTIDORES INDICAM POSSIBILIDADE E SACODEM CENÁRIO POLÍTICO NA BAHIA

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21 de julho de 2025
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Nos bastidores da política nacional, cresce a especulação de que o ex-prefeito de Salvador e atual secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, pode compor como vice uma eventual chapa presidencial liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas eleições de 2026. Apesar de negar publicamente essa hipótese, mantendo seu discurso de que disputará novamente o Governo da Bahia, fontes ligadas ao núcleo político de centro-direita e conservador afirmam que o cenário está longe de estar definido.

A possibilidade, embora tratada com cautela, não está descartada por analistas experientes. Uma aliança entre Tarcísio e ACM Neto teria o potencial de reunir dois nomes com forte expressão eleitoral — um com apelo consolidado no Sudeste e o outro com prestígio no Nordeste. Além disso, essa composição nacional abriria uma nova reorganização no tabuleiro político baiano, onde a oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) ainda busca unidade e força competitiva.

Caso ACM Neto venha a aceitar o desafio de disputar a Vice-Presidência da República, o espaço da oposição na Bahia ficaria em aberto — e, nesse vácuo, o ex-ministro João Roma (PL) poderia ressurgir como o principal nome para disputar o Palácio de Ondina. Roma, que foi candidato ao governo em 2022 com o apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, se mantém ativo e afinado com o núcleo duro do bolsonarismo, o que o credencia para herdar esse capital político e rearticular a base conservadora no estado.

Em um eventual recuo de Neto, Roma se tornaria o candidato natural do bolsonarismo na Bahia, inclusive com espaço para consolidar alianças com prefeitos do interior e grupos evangélicos, principalmente se mantiver o apoio explícito do ex-presidente Bolsonaro, que ainda é uma das maiores forças eleitorais no estado, mesmo após o término de seu mandato.

Vale lembrar que, na Bahia, ACM Neto ainda figura como o nome mais forte da oposição ao grupo petista que governa o estado há quase duas décadas. Sua migração para uma disputa nacional abriria uma lacuna difícil de ser preenchida — e ao mesmo tempo obrigaria a oposição a se reorganizar com rapidez e pragmatismo.

Com a aproximação de Tarcísio de Freitas dos setores mais conservadores, e o bom trânsito de ACM Neto entre setores do centro e da centro-direita, essa composição teria como foco agregar diferentes segmentos do eleitorado brasileiro. O desafio seria convencer Neto a renunciar — ainda que temporariamente — ao seu projeto estadual, para entrar em uma disputa maior, de amplitude nacional, algo que, segundo aliados, ainda está fora de seus planos imediatos.

Recentes declarações do vice-governador e deputado federal João Leão reforçam os rumores sobre a possível ida de ACM Neto para uma chapa nacional. Leão sinalizou que, caso Neto aceite ser vice de Tarcísio de Freitas, ele próprio pode disputar o Governo da Bahia, reafirmando sua fidelidade ao aliado e indicando um movimento estratégico na oposição ao PT no estado.

A ala conservadora ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro tem pressionado ACM Neto a recuar de seus planos estaduais e apoiar João Roma como candidato único da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues. A avaliação desse grupo é que Roma, por representar fielmente o bolsonarismo na Bahia, tem mais identidade com a base ideológica da direita e maior alinhamento com o discurso nacional do ex-presidente.

Mas a política é feita de movimentos estratégicos e conveniências. E, como diz o ditado, “em política, até o que é improvável se torna possível diante de uma boa costura de bastidores”.

Enquanto isso, Jerônimo Rodrigues observa. E João Roma se posiciona.

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