Alckmin afirma que Brasil negocia fim do “tarifaço” com os EUA
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23 de agosto de 2025Brasília, 23 de agosto de 2025 – O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou neste sábado (23) que o governo brasileiro está empenhado em negociar com os Estados Unidos o fim das sobretaxas aplicadas a produtos nacionais. Segundo ele, “se depender de nós, o tarifaço acaba amanhã”.
Durante visita a uma concessionária em São Paulo, Alckmin destacou os avanços já obtidos, como a retirada de produtos de aço e alumínio da lista de sobretaxas norte-americanas. Esses itens passam a ser enquadrados na chamada Seção 232, com alíquota compatível à aplicada a outros países, o que, de acordo com o vice-presidente, devolve competitividade à indústria nacional.
Alckmin lembrou ainda que o governo federal ampliou o plano de crédito do BNDES, elevando de R$ 30 bilhões para R$ 40 bilhões os recursos destinados às empresas afetadas pelas tarifas. “Queremos apoiar também aquelas que não exportam tanto, mas sofrem os impactos indiretos do tarifaço”, afirmou.
O vice-presidente ressaltou que as negociações com Washington continuam abertas, com possibilidade de ampliar a lista de produtos isentos e reduzir alíquotas em outros setores. Ele também apontou a perspectiva de novas parcerias estratégicas com os Estados Unidos nas áreas de biocombustíveis, minerais estratégicos e no mercado de Cbios.
Alckmin lembrou que, atualmente, os EUA representam cerca de 12% das exportações brasileiras, número distante dos 24% registrados nos anos 1980. Ele frisou que apenas 3,3% das exportações do Brasil estão diretamente afetadas pelas novas tarifas, mas reconheceu o forte impacto em setores da indústria manufatureira, como máquinas, calçados e têxteis. Já os produtos agropecuários, segundo ele, têm mais facilidade para serem redirecionados a outros mercados.
O vice-presidente também reforçou que o governo brasileiro está diversificando mercados externos por meio de novos acordos comerciais, como o Mercosul–União Europeia, previsto para ser assinado até o fim de 2025, além de tratativas avançadas com o EFTA, Cingapura e Emirados Árabes Unidos.
Na próxima terça-feira (27), Alckmin viajará ao México para estreitar laços comerciais, destacando o potencial de crescimento em setores como energia, agroindústria e equipamentos médicos. “O Brasil tem um superávit importante nessa relação e queremos expandir ainda mais essa parceria”, concluiu.
